A Bolsa subiu, então acabou a CRISE no Brasil??

A Bolsa subiu, então acabou a CRISE no Brasil??

Alto, lá! Muita calma nessa hora. Vamos “dar nome aos bois” e ir um pouco mais a fundo neste tema que pode ter se tornado moda nas últimas semanas, haja visto a sequência de recordes de altas e máximas históricas que tivemos. Mas, como tanta VALORIZAÇÃO na Bolsa pode ter sido possível se o Brasil enfrenta uma CRISE sem precedentes na sua história, com alta taxa de desemprego, desconfiança do setor empresarial, queda do consumo, da inflação, etc?

Em primeiro lugar, devemos ressaltar que considerar a Bolsa como um parâmetro real da economia brasileira pode ser um risco, porque ela pode ser considerada apenas como um indicador de amostragem. Ao todo, um pouco mais de 400 empresas estão listadas para negociação de capital na atual B3 (BM&F BOVESPA + CETIP). Desse universo, um pouco mais de 60 (apenas as maiores) compõe o IBOVESPA, que é o principal Índice da Bolsa de Valores, que nada mais é do que uma média ponderada de valor de mercado somada e dividida. Além disso, grande parte desse movimento foi realizado por capital especulativo e não investimentos em infraestrutura. Muita gente “comprou” determinada empresa porque “achou” que poderia se valorizar em determinado momento, claro que baseando-se em análises técnicas e fundamentais, mas nada mais do que uma aposta confortável de arriscar uma parcela do capital que estaria a um clique de distância da saída, caso desse errado. Uma das vantagens da profissão de Trader é justamente essa, o desapego aos investimentos. Comprou uma Ação que não deu certo? Vende, aceita o prejuízo que já estava dentro do seu gerenciamento de risco e parte para a próxima. É diferente do empresário que precisa abrir um negócio próprio imobilizando seu capital por anos, assinando contratos com várias restrições, esperando seu payback, que precisa contratar funcionários, comprar maquinário, estocar, etc. As dores de cabeça são menores e o caminho para a saída bem mais curto. Um Trader controlado pode facilmente gerir seu prejuízo de forma mais fácil do um empresário, como tantos casos que conhecemos de pessoas que perdem tudo que tem e mais um pouco quando sua empresa vai à falência.

Pois bem, apesar de termos na B3 as maiores empresas do Brasil, que em sua maioria podem trazer os maiores faturamentos e também contam com um grande número de colaboradores contratados, quantos milhões e milhões de microempresas e pequenos negócios não existem espalhados por aí sendo sufocados por esta CRISE? A verdadeira economia que faz o Brasil girar ainda está em pedaços. A classe média que possui o seu comércio de bairro, sua loja, sua pequena indústria não tem mais para onde correr com a diminuição das vendas, os altos encargos, custos de produção, impostos, processos trabalhistas e tantos outros problemas que fazem do empresário neste país ser um verdadeiro herói. Na minha opinião, é fácil ser um CEO de uma multinacional, com Ações listadas na Bolsa, com um fundo multimilionário por trás para bancar, com a “vaca-leiteira” do BNDES para “acudir” e dar uma declaração, quando conveniente, de que “mesmo fechando o trimestre com um prejuízo abaixo do esperado, as perspectivas são boas para os próximos meses.” Quero ver chegar em casa com a conta no vermelho, sem dinheiro para o mercado e a escola das crianças. Essa é a verdadeira realidade do Brasil de hoje.

Não podemos nos esquecer também de que a Bolsa de Valores é uma “expectativa” e não uma realidade imediata. Atualmente, o Brasil está barato. Vários economistas já comentaram que hoje o nosso país pode ser “buy”. Somos uma potência econômica (pelo menos entre os 20 primeiros do ranking mundial), muito fortes na exportação de commodities (agricultura, carnes, petróleo), amplo território, populoso e consumista. Temos as nossas ferramentas para sair da CRISE e algumas medidas já estão sendo tomadas, como o combate à corrupção através da Lava Jato, reformas importantes como a Trabalhista e da Previdência, Redução dos Juros para estimular o consumo e Programa de Privatizações para aliviar o Caixa Federal e contribuir para novas contratações. Como sabemos, a Economia funciona em Ciclos de Altas e Baixas. Passamos alguns atrás por uma onda positiva, em que muita coisa deu certo no Brasil. Desde 2014, esta maré foi de azar, mas acredito que em breve, pelo fim de 2018 e começo de 2019 a população poderá realmente sentir no dia a dia toda essa empolgação da Bolsa tão comentada por enquanto.

Ainda pode levar um tempo para que essa recuperação atinja novamente o bolso dos brasileiros no sentido positivo, mas ela pode chegar, porque em 2017 chegamos no fundo do poço e a tendência é que daqui pra frente as coisas possam melhorar de novo.

Sucesso!

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